O governo federal anunciou aumento no Bolsa Família que eleva o piso de R$ 600 para R$ 691 e a média do benefício de R$ 675 para R$ 777. O comunicado, divulgado a duas semanas das eleições, reativou o debate sobre o timing da medida e suas implicações para as contas públicas.

Deborah Bizarria, economista especializada em gestão pública, avaliou que a iniciativa tem propósito social legítimo, mas criticou a ausência de um processo técnico ao longo do mandato para aprimorar o programa. Segundo ela, o Executivo deixou de debater reformas e aperfeiçoamentos com especialistas e universidades, e optou por concentrar um aumento relevante próximo ao pleito.

A especialista reconheceu avanços pontuais, como revisões no Cadastro Único que corrigiram distorções e ampliações de cobertura. Mas apontou que experiências estaduais — que combinam transferência de renda com qualificação e articulação produtiva — mostraram caminhos alinhados à literatura internacional e pouco foram escaladas em nível federal.

Do ponto de vista fiscal, Bizarria ressaltou que o problema não é apenas o aumento de gastos em uma política social, e sim a falta de indicação de onde virão as compensações. Citou que subsídios federais representam um volume substancial — várias vezes maior que o gasto com transferência direta — e que a expansão de despesas parafiscais dificulta a governança orçamentária. Sem ajustes claros, alertou, a medida pode pressionar inflação e juros, reduzindo a capacidade do programa de gerar prosperidade real para os beneficiários.