O governo anunciou na quinta-feira (17) um reajuste do Bolsa Família que começa a valer na folha de outubro. Em entrevista ao CEO Fórum, na Bahia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que a medida tenha sido motivada pela disputa eleitoral e respondeu às críticas com uma frase direta: “Se fosse eleitoral, nós teríamos feito antes”. O anúncio ocorreu 17 dias antes do primeiro turno, o que imediatamente alimentou questionamentos sobre o timing político da medida.
Os números divulgados pelo Executivo detalham a correção de 15,04% — baseada no INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 — que eleva o valor mínimo de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio estimado de R$ 675 para R$ 777. O governo afirma que se trata de recomposição inflacionária e informa que esta é a primeira atualização dos valores desde a retomada do modelo em 2023. O custo estimado foi apontado em R$ 5,8 bilhões para 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
A proximidade do anúncio com o calendário eleitoral gerou reação de adversários e motivou uma representação ao TSE; o ministro André Mendonça rejeitou a ação sem analisar o mérito. Independentemente do entendimento jurídico sobre propaganda eleitoral, o fato político é claro: a medida virou peça central do debate público e expôs o governo à necessidade de justificar tanto a motivação quanto a origem dos recursos, sobretudo num ano em que o planejamento orçamentário e a transparência fiscal são argumentos sensíveis na disputa política.
Do ponto de vista fiscal, o Executivo diz que não se trata de despesa extraordinária e anunciou que fará ajustes no PLOA enviado ao Congresso para incorporar os novos valores. Ainda assim, R$ 22 bilhões em 2027 representam um movimento relevante sobre a base do orçamento e obrigam uma interlocução com o Parlamento para assegurar compatibilidade com metas e prioridades. Na arena política, a leitura é que, mesmo com a justificativa técnica, o governo precisará neutralizar a narrativa de oportunismo e mostrar de onde virão os recursos para evitar desgaste no curto prazo.