O governo brasileiro formalizou à Washington o início do processo previsto na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Trata‑se de um movimento calculado: o objetivo declarado é forçar a retomada de negociações sobre taxações, não deflagrar uma retaliação automática.
Os casos citados envolvem duas cobranças distintas: uma tarifa de 25% específica para produtos brasileiros e outra de 12,5% aplicável a diversos países; em determinados produtos, a soma das duas pode atingir 37,5%, embora exista lista de exceções. O Itamaraty já pediu a abertura de consultas diplomáticas, enquanto a Camex avaliará os impactos e opções possíveis.
Analistas destacam que a medida funciona sobretudo como instrumento de pressão. Michael Lopez Stewart, da Arko Advice, afirma que o acionamento busca negociar, não necessariamente escalar tensões. Ainda assim, empresários dos setores mais expostos ao mercado americano veem aumento de incerteza, o que pode frear exportações, investimentos e decisões sobre cadeias produtivas.
Há também um componente político e diplomático: o Brasil assume maior exposição internacional num momento em que a agenda eleitoral e a cúpula dos BRICS se aproximam. Considerando o perfil do governo americano atual, não se pode descartar resposta adversa de Washington. Resta saber se a lei levará as partes de volta à mesa ou se complicará a relação comercial entre Brasil e EUA.