A decisão de acionar a Lei de Reciprocidade e notificar o governo dos Estados Unidos, consolidada na quinta-feira (13), tem objetivo político claro: responder ao chamado 'tarifaço' imposto por Washington. Mas economistas, como Juliana Inhasz, do Insper, advertiram que a medida — mesmo com potencial de barganha tática — pode trazer custos relevantes para a economia doméstica se evoluir para retaliações efetivas.
O mecanismo é simples na prática: medidas recíprocas tendem a encarecer importações que são vitais tanto para o consumo quanto para a produção. Isso pode repercutir diretamente na inflação ao consumidor e no custo de produção das empresas. Na visão técnica da economista, o país acabaria por 'socializar' parte desses custos, com efeito sobre preços ao varejo e margens corporativas.
Um risco central apontado é a escalada. Sequências de tarifas e contramedidas criam ciclos de resposta que reduzem o dinamismo do comércio e ampliam ineficiências. Setores dependentes de insumos e cadeias globais — máquinas e equipamentos, componentes químicos, tecnologia e outros insumos industriais — seriam os mais vulneráveis a um encarecimento significativo de produtos importados dos EUA.
Além do impacto econômico, a aposta em reciprocidade traz custo político: pressão de consumidores e da indústria por medidas mitigadoras, necessidade de calibragem fina para evitar respostas desproporcionais e risco de desgaste caso os custos se materializem. Em suma, há ganho tático possível, mas decisões concretas exigem avaliação rigorosa do trade-off entre pressão externa e custo interno.