O presidente da Abiplast, associação que representa a indústria do plástico, advertiu que a adoção imediata da Lei da Reciprocidade como resposta ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos pode resultar em mais prejuízo para o Brasil. Segundo a entidade, a reação automática correria o risco de aprofundar um quadro que já penaliza empresas brasileiras.
Roriz Coelho criticou a ausência de estratégia e de capacidade de negociação do país no período prévio às medidas americanas. Na avaliação da Abiplast, a discussão foi, em boa parte, politizada, e a reciprocidade deveria funcionar como instrumento de barganha, não como gesto emocional de retaliação, sob pena de piorar a posição competitiva das indústrias nacionais.
O impacto recai com maior força sobre empresas de porte médio que têm entre 50% e 70% das vendas destinadas ao mercado norte-americano. Para esses grupos, redirecionar produção e abrir novos mercados não é imediato: estima-se que levaria ao menos seis a oito meses até que exportações alternativas comecem a representar vendas efetivas, prazo durante o qual o fluxo de caixa fica pressionado.
O Plano Brasil Soberano foi apontado como tentativa de mitigação, mas a Abiplast destaca que a burocracia e o custo do crédito dificultam o acesso de pequenas e médias empresas. Em muitos casos, acudir ao mercado financeiro por três ou quatro meses com taxas elevadas torna-se insustentável, e mesmo o crédito liberado não garante a rápida recomposição da cadeia produtiva.
A saída proposta é pragmática: ampliar a lista de exceções tarifárias já anunciada e retomar negociações diretas com os americanos. Do ponto de vista político e econômico, a mensagem é clara — respostas pouco calculadas podem custar mercados, pressionar empregos e impor um ônus que o setor produtivo e, potencialmente, os cofres públicos terão dificuldade em suportar sem uma estratégia comercial mais articulada.