O IPCA-15 de junho, prévia mensurada pelo IBGE e aguardada para divulgação nesta quinta-feira (25), deve registrar desaceleração em relação aos 0,62% de maio. Projeções colhidas pelo mercado apontam alta entre 0,41% e 0,55%, sinalizando uma moderada desaceleração, mas longe de uma reversão clara da tendência inflacionária.
Os principais vetores que sustentam a inflação seguem sendo alimentação no domicílio e habitação. A FGV projeta alta de cerca de 1,35% para alimentos em casa, enquanto o grupo de habitação deve subir em torno de 0,91%, mantendo o IPCA-15 em patamar pressionado mesmo com uma leve desaceleração mensal.
No mercado internacional, os contratos futuros do petróleo recuaram pelo terceiro dia seguido: o WTI fechou em US$ 70,34 o barril (-3,92%) e o Brent em US$ 73,87 (-3,81%). Na ponta doméstica, o etanol deve exercer o principal efeito de queda (-5,91%) por conta da safra, e a gasolina tende à estabilidade ou a ligeira queda. Porém, especialistas alertam que o efeito pleno da baixa externa ainda chegará com defasagem.
Analistas lembram que o diesel permanece significativamente acima dos níveis de fevereiro e que o aumento anterior se traduzirá em custo de frete e preços de alimentos nas próximas semanas. Além disso, intervenções do governo para limitar repasses na alta podem reduzir também a velocidade de queda agora que os preços internacionais recuam. Em resumo: o recuo do petróleo ajuda, mas o alívio deverá ser gradual, com impacto mais claro apenas em índices futuros e implicações políticas para a narrativa de controle da inflação.