A Agência Internacional de Energia (AIE) reiterou nesta sexta (17) que a guerra no Oriente Médio terá efeitos duradouros sobre o fornecimento global de petróleo e gás. O chefe da entidade afirmou que a retomada da produção na região do Golfo não será imediata e que, de modo geral, a recuperação deve levar cerca de dois anos, com diferenças importantes entre países — por exemplo, tempos muito maiores previstos para o Iraque do que para a Arábia Saudita.

A AIE também advertiu que mercados e investidores parecem subestimar o impacto de um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz — corredor vital para exportações do Golfo. Embora os preços do petróleo tenham ficado abaixo de US$ 100 o barril nesta semana, a agência ressaltou que a continuidade das restrições logísticas e a falta de novas cargas em março já geram uma lacuna entre oferta anunciada e entregas efetivas, especialmente rumo à Ásia.

O cenário impõe consequências práticas: pressão adicional sobre preços de energia e insumos, risco de aceleração da inflação em economias dependentes de importações e maior custo fiscal para governos que subsidiem combustíveis. Para empresas e consumidores, a incerteza eleva custos de produção e logística; para formuladores de política, aumenta a necessidade de diversificação de fornecedores e de estratégias de estoques e reservas.

O quadro de prazo estimado pela AIE — cerca de dois anos — muda o horizonte de decisão: trata-se de um choque de médio prazo que exige ajustes de política energética e fiscal, além de respostas coordenadas no mercado internacional. Para investidores e autoridades, a mensagem é clara: preparar-se para volatilidade prolongada e não subestimar riscos geopolíticos que podem encarecer a energia.