Um estudo da consultoria Íntegra Associados, obtido com exclusividade pela imprensa, conclui que a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais — mantendo-se os salários — pode elevar em quase 7% o custo total em atividades de serviços intensivas em mão de obra. A base considera 28,8 milhões de contratos em estabelecimentos com ao menos 20 empregados e aponta que 23,4 milhões de vínculos formais têm jornada acima de 40 horas.

A passagem de 44 para 40 horas implica, segundo o levantamento, aumento de 10% no custo de cada hora trabalhada quando a remuneração é mantida. No entanto, o efeito sobre o custo total das empresas varia conforme o peso da folha nas despesas do setor. Enquanto o custo da hora pode crescer perto de 9–10% em segmentos como comércio varejista (9,93%) e fabricação de alimentos (9,82%), a elevação do custo total nesses setores tende a ser modesta — 0,80% no exemplo da alimentação; no comércio atacadista, 9,58% na hora e apenas 0,42% no custo agregado.

O impacto mais expressivo aparece em serviços cuja folha representa grande parcela dos gastos. A Íntegra estima aumento de 6,85% no custo total em seleção e agenciamento de mão de obra; 6,83% em vigilância e segurança; e 6,27% em serviços para edifícios e paisagismo. Também são citados escritórios de apoio administrativo (4,11%), serviços jurídicos e contábeis (4,70%), correios e entregas (4,45%) e alojamento (3,50%). Ao todo, 19 setores teriam alta inferior a 1% no custo total por terem baixa participação da folha entre seus custos.

Os autores deixam claro os limites da análise: o estudo calcula apenas o efeito direto da redução de 44 para 40 horas e não separa o impacto do fim da escala 6x1. Também não incorpora horas extras, nem eventuais ganhos de produtividade, queda do absenteísmo, melhor retenção de pessoal ou efeitos sobre a saúde dos trabalhadores. A consultoria admite que a metodologia pode superestimar a alta média ao assumir a manutenção integral dos salários com base na jornada contratual.

Do ponto de vista político e econômico, o levantamento acende alerta para o desenho da proposta: embora não represente um choques uniformes em toda a economia, concentra ônus em setores de serviços e em atividades com alta participação da folha. Isso amplia desgaste para o governo e complica a narrativa oficial sobre benefícios líquidos da mudança, já que as empresas mais afetadas podem tentar repassar custos a preços, ajustar negociações coletivas, buscar terceirização ou acelerar automação — respostas que terão efeitos concretos sobre emprego, preços e a dinâmica setorial.