A discussão sobre a eventual eliminação da escala 6x1 reacende um debate direto sobre custo e oferta de trabalho no varejo. Em entrevista à CNN Money, o presidente da Apas, Erlon Ortega, afirmou que a redução da jornada acarretaria aumento da demanda por trabalhadores — hoje o setor paulista registra cerca de 35 mil vagas em aberto — e poderia elevar os preços pagos pelo consumidor.

A Associação Paulista de Supermercados projeta que a mudança, se aprovada nos moldes em debate na Câmara, elevaria preços entre 8% e 10% no segmento, com setores correlatos enfrentando reajustes possivelmente ainda maiores. Ortega também citou pesquisas que mostram perda de apoio popular à proposta, sinalizando que a percepção pública já incorpora o custo da medida.

Como alternativa, a Apas defende a aprovação da PEC 12, em tramitação no Senado, que prevê maior flexibilidade nas relações de trabalho. Ortega argumenta que a proposta seria mais adequada para os trabalhadores mais jovens, que representam cerca de um terço da força de trabalho do varejo e combinam emprego formal com estudos e atividades digitais.

O recado da entidade expõe a tensão central do debate: proteger direitos trabalhistas versus preservar a viabilidade econômica e a oferta de empregos. A imposição de redução uniforme da jornada pode transferir custos ao consumidor e aprofundar a escassez de mão de obra, empurrando o tema para o centro das decisões do Congresso. A decisão terá impacto direto na inflação setorial e exigirá do poder público avaliação técnica mais detalhada antes de mudanças generalizadas.