O Senado aprovou em dois turnos, por 75 votos a 1, a PEC que encurta a jornada semanal de 44 para 40 horas e extingue a escala 6x1, com vigência escalonada: 42 horas após 60 dias da promulgação e 40 horas doze meses depois. A mudança, apresentada como ampliação de direitos, traz implicações econômicas claras que devem mexer com a agenda do governo e a rotina de empresas e trabalhadores.

Economistas consultados dizem que a redução ocorrerá num momento em que a produtividade por hora no Brasil permanece baixa, o que dificulta compensar a perda de tempo de trabalho por ganhos de eficiência. Estudos e especialistas citados por analistas mostram discrepância grande entre produtividade horária brasileira e a de economias mais avançadas, o que reforça a tese de que cortar horas sem contrapartida produtiva tende a elevar o custo unitário do trabalho.

O setor produtivo já sinalizou os efeitos práticos: aumento da folha, repasses a preços e ajuste na estrutura de emprego. A Confederação Nacional da Indústria estimou que a mudança pode acrescentar até R$ 267,2 bilhões por ano aos custos com empregados formais, o que equivale a até 7% a mais na folha em cenários levantados pela entidade. Em mercados competitivos as empresas podem reduzir produção, aumentar rotatividade, recorrer à informalidade ou acelerar automação; em setores com poder de mercado, o custo tende a ser repassado ao consumidor.

Politicamente, a aprovação coloca o Executivo diante da necessidade de medidas complementares. Especialistas avaliam que a manutenção do poder de compra dos trabalhadores dependerá não só da lei, mas de políticas voltadas a produtividade, qualificação e ambiente de negócios que permitam ganhos reais de eficiência. Sem essas contrapartidas, a medida corre o risco de penalizar justamente os trabalhadores que busca beneficiar, por meio de preços mais altos ou menor oferta de vagas formais.