Uma pesquisa da consultoria ROIT indica que uma parcela relevante das médias e grandes companhias brasileiras não avaliou, a tempo, os efeitos financeiros da reforma tributária. Faltando menos de 100 dias para a transição ao novo modelo (IBS e CBS), 34% das empresas ouvidas ainda não fizeram projeções sobre o impacto no fluxo de caixa — um sinal de subestimação do problema em plena contagem regressiva.
Segundo especialistas da ROIT, muitos grupos têm concentrado esforços na adequação dos sistemas para emitir notas e registrar operações, mas deixaram em segundo plano a mensuração dos efeitos econômicos. O diagnóstico é preocupante: apenas 24% afirmam ter a base de dados completamente cadastrada e auditada, e em análises já realizadas 93% das empresas apresentaram algum impacto negativo no capital de giro. Esses números expõem risco real de erro na apuração e de pagamentos a mais ou a menos, com potencial de penalidades fiscais.
As principais consequências práticas são duas: a precificação inadequada — que pode corroer margens ou afastar clientes se descontos não forem recalibrados — e um aperto imediato no caixa. Com créditos tributários que só poderão ser apropriados após o desembolso inicial, é previsível um aumento da necessidade de capital de giro no primeiro trimestre de 2027. Esse efeito é agravado pelo atual patamar elevado de juros, que encarece a rotação financeira e pode elevar a demanda por linhas de crédito de curto prazo.
O levantamento acende alerta para a gestão corporativa e para o mercado: sem mensuração, saneamento de dados e capacitação de equipes, empresas arriscam resultados operacionais e reputação. A recomendação é clara — priorizar projeções de impacto, revisar configurações fiscais nos sistemas e treinar times — para evitar surpresas que podem custar caro em preços, liquidez e exposição a autuações.