A reunião anual da IATA, realizada no Rio de Janeiro, lançou um alerta direto ao consumidor: a forma como a reforma tributária foi aprovada pode encarecer bilhetes aéreos. O setor projeta que o IVA, estimado entre 26% e 27%, elevaria uma passagem doméstica média de R$ 650 para cerca de R$ 800 — um salto de 23%. Para voos internacionais, o aumento estimado é de 26%, passando de US$ 740 para aproximadamente US$ 935 (cerca de R$ 4.675).

A previsão apresentada pelas companhias vem acompanhada de um pedido por clareza: segundo a IATA, os custos adicionais seriam repassados aos consumidores caso as empresas não consigam aproveitar créditos tributários decorrentes das compras. O Ministério da Fazenda reagiu às estimativas, afirmando que o setor estaria desconsiderando a possibilidade de compensações fiscais e que o impacto não seria da magnitude apontada pelas companhias.

Além do efeito direto do IVA, a entidade destacou outro vetor de pressão sobre as tarifas: o alto volume de processos judiciais contra companhias aéreas no Brasil. A IATA compara taxas de litígio e mostra que há um processo para cada 227 passageiros no país — contra um processo para cada 1,2 milhão de passageiros nos Estados Unidos. Essa judicialização, estima a entidade, acrescenta entre 3% e 5% ao custo das passagens, com despesas que superam R$ 1 bilhão por ano com advogados e tribunais.

O cenário desenhado no encontro combina fatores fiscais e judiciais que, na visão do setor, já empurram preços para cima e tornam a viagem aérea menos acessível. Para o leitor, a consequência é clara: sem ajustes na regulamentação do IVA e iniciativas para reduzir o custo da litigância, o cidadão paga a conta. O episódio acende alerta sobre a necessidade de ajustes práticos na implementação da reforma e de respostas do governo que evitem transferência automática de custo para o consumidor.