A chanceler Rachel Reeves anunciou um pacote de reformas para ampliar o acesso ao crédito de pequenas e médias empresas (PMEs) no Reino Unido, centrado na expansão do Growth Guarantee Scheme (GGS), gerido pelo British Business Bank. O GGS garante 70% de empréstimos comerciais de até 2 milhões de libras; a reformulação pretende viabilizar mais 2 bilhões de libras anuais em novos financiamentos até o ciclo 2028/29, elevando o suporte total do programa para 3,35 bilhões por ano, ante 1,35 bilhão atualmente.

Entre as mudanças estão a extensão do prazo máximo de pagamento de seis para dez anos para contratos de até 1,1 milhão de libras e o aumento do teto de faturamento anual para elegibilidade, de 45 milhões para 54 milhões de libras. O governo estima que as alterações apoiarão mais 12 mil negócios por ano, chegando a um total de 20 mil empresas assistidas. Em paralelo, foram destinados 500 milhões de libras ao ENABLE Guarantee para destravar crédito a empresas intensivas em inovação e propriedade intelectual.

O pacote também mira reforçar o ecossistema local de microfinanças: uma força-tarefa para desenvolver instituições de finanças comunitárias (CDFIs) atraiu 10 milhões de libras em aportes filantrópicos com a meta de liberar 1 bilhão de libras em crédito nos próximos cinco anos. British Business Bank e UK Export Finance anunciam ainda um esquema de garantias para PMEs exportadoras no primeiro semestre do ano que vem. O anúncio chega antes do discurso de Reeves no Mansion House, programação que dá palco político à agenda econômica.

A iniciativa tende a aliviar restrições de liquidez e a favorecer empresas que, sem ativos físicos, enfrentam barreiras para obter empréstimos. Mas amplia também exposições contingentes do Tesouro: garantias maiores e prazos mais longos aumentam o risco fiscal em caso de incumprimento e podem criar incentivo a crédito mais arriscado. A eficácia dependerá do desenho operacional, da capacidade de alcançar empresas viáveis regionalmente e da transparência sobre custos futuros. Nos próximos meses, será crucial acompanhar uptake, taxas de default e efeitos sobre condições de crédito e preço para empresários.