O Federal Reserve afirmou no relatório semestral ao Congresso que a inflação nos Estados Unidos "aumentou ainda mais na primavera", com o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) em maio situado em cerca do dobro da meta de 2% do FOMC. O documento identifica três vetores recentes de pressão: elevação de tarifas, custos de energia puxados pelo conflito no Oriente Médio e a expansão acelerada da tecnologia de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, o relatório descreve um mercado de trabalho estabilizado, com demanda e oferta quase em equilíbrio, e taxa de desemprego de 4,2% em junho considerada ainda baixa. O Fed também destaca mudanças demográficas — menor imigração e queda da participação por envelhecimento — que reduzem o crescimento da oferta de trabalho.

É o primeiro relatório sob a gestão do novo chair Kevin Warsh, que irá depor diante de comissões da Câmara e do Senado na próxima semana. O documento chegou após o adiamento da audiência da primavera em meio à controvérsia envolvendo o ex-chair Jerome Powell; Warsh assumiu o posto no fim de maio. Investidores já passaram a precificar a possibilidade de alta de juros ainda neste ano diante do quadro de preços.

A menção explícita à IA como fator inflacionário no curto prazo chama atenção: embora a tecnologia deva elevar produtividade no futuro, sua expansão gera demanda por energia, chips e insumos que pressiona custos agora. Para a política monetária, o relatório acende um sinal de alerta: a combinação de pressões de preços e um mercado de trabalho resistente reduz margem para acomodação, com efeitos diretos sobre custo do crédito e condições financeiras globais.