O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério das Mulheres, revela que as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados — patamar praticamente estável em relação a novembro de 2025 (21,2%). Os números vêm de cerca de 53,5 mil estabelecimentos e trazem uma radiografia que mistura avanço na ocupação feminina com estagnação nos ganhos.
A remuneração média feminina apontada no relatório é de R$ 3.965,94, contra R$ 5.039,68 dos homens. No salário de contratação mediano, a diferença cresceu de 13,7% em 2023 para 14,3% agora. Há variação regional: Piauí (92,1%), Acre (91,9%), Distrito Federal (91,2%) e Ceará (90,5%) são os mais próximos da paridade; por outro lado, Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%) apresentam as maiores lacunas.
Alguns sinais positivos convivem com a desigualdade: o número de mulheres empregadas subiu 11%, de 7,2 milhões para 8 milhões, e entre mulheres negras o crescimento foi de 29% (de 3,2 milhões para 4,2 milhões). A proporção de empresas que afirmam promover mulheres passou de 38,8% para 48,7%, enquanto ações específicas para mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família permaneceram estáveis. A massa de rendimentos das mulheres aumentou de 33,7% para 35,2%; ainda assim, para alcançar participação equivalente aos 41,4% da presença feminina no emprego seria preciso um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos.
Os dados forçam um debate prático sobre responsabilidade pública e custo econômico da desigualdade. A legislação prevê igualdade salarial para a mesma função, mas a persistência do hiato e o aumento da diferença no salário de contratação expõem fragilidades na implementação e possíveis efeitos negativos sobre produtividade, equidade e demanda interna. O relatório acende um alerta: o crescimento da ocupação feminina sem correção salarial proporcional complica a narrativa governamental de inclusão e cobra medidas concretas — do estímulo à transparência nas empresas a políticas que reduzam a assimetria de oportunidades e pressões fiscais associadas ao esforço suplementar indicado pelos números.