O relatório Prisma Fiscal, compilado pelo Ministério da Fazenda, traz revisão positiva nas projeções do mercado para o déficit primário do governo central: a mediana para 2026 caiu para R$59,019 bilhões (ante R$65,959 bilhões em março) e a de 2027 passou para R$50,359 bilhões (de R$56,212 bilhões). A estimativa da dívida bruta recuou levemente para 83,28% do PIB em 2026, frente a 83,41% anterior, e ficou em 86,60% do PIB para 2027, contra 86,75% no relatório anterior.

Apesar da melhora estatística, o ajuste é marginal frente à trajetória de alta do endividamento que a equipe econômica já vinha sinalizando. O relatório reforça que ganhos nos resultados primários convivem com um custo de juros ainda elevado: a Selic foi cortada para 14,75% em março, mas o nível histórico dos juros segue pressionando o gasto com dívida e reduzindo a folga fiscal disponível.

No detalhamento, as projeções de receita líquida subiram ligeiramente — R$2,537 trilhões em 2026 e R$2,682 trilhões em 2027 — ao passo que as despesas também foram revistas para cima (R$2,597 trilhões em 2026 e R$2,733 trilhões em 2027). O quadro aponta para uma margem estreita entre o resultado esperado e as metas oficiais (superávit de 0,25% do PIB em 2026 e 0,5% em 2027, com tolerância de 0,25 p.p.), o que limita espaço para manobra.

Politicamente, o cenário exige da equipe econômica medidas críveis de contenção e maior clareza sobre a trajetória de juros, porque a combinação de gastos em alta e juros persistentes pode reduzir a confiança do mercado e complicar a narrativa fiscal do governo. Em suma: há avanço numérico no Prisma, mas não há segurança de que o movimento baste para estabilizar a dívida sem ajustes estruturais.