O rendimento médio mensal real do brasileiro atingiu R$ 3.367 em 2025, recorde na série da PNAD Contínua iniciada em 2012, informou o IBGE. O rendimento domiciliar per capita também subiu ao patamar inédito de R$ 2.264 no ano. Os números refletem um mercado de trabalho relativamente aquecido e oscillam em meio a políticas macroeconômicas recentes.
Apesar da melhora em todas as faixas de renda, a distribuição dos ganhos foi desigual. Os 10% mais pobres tiveram aumento real de 3,1% — suficiente para levar a renda média per capita desse grupo a R$ 268 mensais, cerca de R$ 8,93 por dia. Em contraponto, os 10% mais ricos registraram alta de 8,7%, com renda média per capita de R$ 9.117; o 1% do topo alcançou R$ 24.973, crescimento de 9,9% sobre 2024. O efeito combinado fez o índice de Gini subir de 0,504 para 0,511.
O IBGE e os analistas apontam mecanismos claros: juros elevados amplificam retornos financeiros, o rendimento de aluguéis cresceu e trabalhadores mais qualificados captaram maior parte da melhora ocupacional. Programas sociais, que atuam diretamente na base da pirâmide, não tiveram reajustes relevantes em 2025, segundo a própria pesquisa, o que limitou a resposta na ponta inferior da distribuição.
Num horizonte mais amplo, porém, a tendência é distinta: entre 2019 e 2025 os 10% mais pobres acumulam ganho de 78,7% contra 11,9% dos 10% mais ricos, e a média populacional subiu 18,9%. Ainda assim, o salto recente do rendimento médio acompanhado da leve alta do Gini acende um dilema para formuladores de política econômica: como conciliar taxas de juros que disciplinam a inflação e remuneram poupadores com uma agenda de inclusão que mantenha ganhos reais nos estratos mais vulneráveis? O resultado do IBGE traz argumentos para revisitar instrumentos de transferência, esforço por crescimento mais amplo e debate sobre os custos distributivos da atual conjuntura econômica.