A Lojas Renner reportou lucro líquido de R$ 257,3 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16,4% ante igual período e acima da expectativa média do mercado (R$ 171 milhões). O ebitda ajustado alcançou R$ 610,5 milhões, também superando projeções (R$ 406 milhões), com vendas mesmas lojas crescendo 3,2% e o segmento de vestuário avançando 3,7%.

A direção credita o salto à evolução do modelo de execução de moda — maior velocidade entre captura de tendência, design e produção — e ao maior peso de produtos novos nas vendas. O estoque total caiu 1% no trimestre e o estoque mais antigo recuou 15%, enquanto a geração de caixa atingiu recorde e o ciclo financeiro foi reduzido em oito dias.

A companhia ampliou o uso de inteligência artificial em captura de tendências, sortimento por loja e logística, e estendeu o provador virtual a categorias de beleza para aumentar conversão. A Renner também anunciou um plano ambicioso de 50 a 60 novas lojas em 2026, a maioria no segundo semestre; oito unidades já foram inauguradas, com foco em cidades por volta de 100 mil habitantes.

O resultado dá fôlego financeiro e operacional, mas traz sinais para acompanhamento: a expansão acelerada testa disciplina de execução e capital; a seletividade no crédito via Realize reduz risco imediato, mas o endividamento das famílias segue como variável sensível. Para investidores e concorrentes, o caso da Renner aponta como gestão de estoque e tecnologia podem traduzir-se em margem — desde que a cadeia e a demanda se mantenham resilientes.