A Lojas Renner informou que o crescimento das vendas no primeiro semestre deve ficar aquém da média estimada para o ano, embora a companhia mantenha a confiança em uma recuperação no segundo semestre. Em entrevista à Reuters, o diretor financeiro Daniel Martins destacou que a empresa continua mirando o guidance definido para 2026, mas que a trajetória dependerá da performance das próximas temporadas comerciais.
A companhia explica parte do efeito pela comparação com a primeira metade de 2025, quando a receita líquida de varejo apresentou expansão robusta (12% no 1º trimestre e 18,5% no 2º). Nos primeiros três meses de 2026, a alta foi mais modest a, de 4,3%, influenciada também pela transferência planejada de estoques antigos do centro de distribuição do Rio de Janeiro para São Paulo, movimento informado no balanço e que afetou o fluxo de vendas.
Apesar do desempenho comercial mais frágil no semestre, a Renner reportou melhoria na margem bruta de varejo — alcançou 56,7% no primeiro trimestre, nível recorde para o período — e lucro líquido de R$257,3 milhões, alta de 16,4% na comparação anual, acima do esperado por analistas. A empresa diz esperar manutenção da saúde da margem ao longo do ano, embora reconheça que as bases de comparação são altas.
O quadro abre sinal de alerta para investidores: a confiança no cumprimento da meta anual depende de um segundo semestre mais forte, execução rigorosa de estoques e disciplina comercial. Se o consumo não reagir conforme previsto, a empresa terá de intensificar promoções, rever ritmo de reposição ou explicar revisão de expectativas — cenários que podem pressionar margens e testar a credibilidade do guidance.