Em 2025, o governo dos Estados Unidos formalizou a criação de uma reserva estratégica de bitcoin por meio de ordem executiva assinada pelo presidente, reunindo criptoativos apreendidos em operações do FBI e do Departamento de Justiça. Na ocasião, o anúncio elevou o interesse do mercado e contribuiu para alta no preço do ativo.

Desde então, porém, não houve compras adicionais nem movimentação relevante dessas posições. A ausência de continuidade transformou o gesto inicial em fonte de interrogação: especialistas e investidores passaram a questionar se a iniciativa tinha objetivo concreto de política econômica ou se foi, em grande parte, um sinal político pontual.

Analistas apontam também contradições técnicas. Reservas governamentais costumam priorizar liquidez e estabilidade para sustentar moeda e honrar compromissos externos; incluir um ativo com histórico de oscilações acentuadas adiciona volatilidade a uma carteira que, em tese, deveria reduzir riscos. Alternativas citadas na época — realocações de ativos ou ajustes fiscais para ampliar a reserva sem custo ao contribuinte — não avançaram.

O resultado é uma medida que, até aqui, acende alerta mais pelo debate do que pela prática. Para investidores, a estratégia inconclusa amplia incertezas sobre o papel que criptomoedas terão em carteiras oficiais; para o governo, cria um problema de credibilidade e complica a narrativa oficial sobre gestão de ativos. O tema será tema do programa Resenha do Dinheiro, que debate economia e investimentos às sextas no canal CNN Money e aos domingos na CNN Brasil.