Diante do pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos, a recomendação de especialistas é clara: retaliação não parece ser a melhor resposta imediata. Segundo a economista consultada, o caso brasileiro não é isolado — cerca de 60 países foram atingidos pelas medidas, que abrangem praticamente a totalidade das importações americanas.

A dimensão do impacto abre espaço para uma alternativa estratégica: construção de uma frente comum entre as nações afetadas. Uma atuação coordenada aumentaria o poder de barganha frente a Washington ao expor riscos às cadeias de abastecimento e a potenciais pressões inflacionárias no mercado norte-americano, argumentos que podem forçar recuos políticos.

Para o Brasil, a tentação de responder com medidas simétricas traz custos reais. Retaliações podem gerar represálias setoriais, agravar incertezas na cadeia de suprimentos e pressionar preços internos, além de reduzir margens de manobra em negociações comerciais futuras. Em vez de gesto simbólico, o risco é pagar um preço econômico e político elevado.

O quadro exige, portanto, uma estratégia pragmática: articular diplomacia multilateral, mapear impactos por setor e preparar instrumentos negociadores, mantendo portas abertas ao diálogo. A decisão terá custo político — e a capacidade do governo de construir alianças internacionais será determinante para limitar danos e buscar soluções concretas.