Com a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e a perspectiva de poços que foram interrompidos durante a guerra voltarem a operar, o mercado enfrenta incertezas técnicas que limitam um choque imediato de oferta. Cenários vão de um fluxo rápido de petróleo a uma retomada morosa, dependendo do estado dos reservatórios e dos equipamentos.

A interrupção da produção não é um simples desligar e ligar. A perda de pressão subterrânea, infiltração de água, acúmulo de areia e corrosão em bombas e tubulações podem reduzir o rendimento dos poços ou exigir intervenções prolongadas. Revestimentos comprometidos também elevam o risco de vazamentos e demandam reparos antes da normalização.

Analistas do setor observam que danos catastróficos são improváveis: experiências passadas, como paradas durante a pandemia, mostram que a indústria pode recuperar boa parte da capacidade. Ainda assim, a reinicialização terá de ser gradual, em semanas, para evitar colapso de reservatórios — o que significa oferta contida no curto prazo e potencial pressão altista sobre preços.

Do ponto de vista econômico e fiscal, a manutenção de oferta limitada se traduz em maior volatilidade de preços e custos para países importadores, além de testar estoques estratégicos e capacidades de resposta. Para produtores regionais, há custo operacional e risco reputacional; para governos, a necessidade é de planejamento e coordenação para minimizar impactos em inflação e contas públicas.