Em palestra no Inter Invest Summit, realizado em Belo Horizonte, o CEO do Inter, Alexandre Riccio, colocou o ajuste fiscal como condição necessária para melhorar o ambiente de investimentos no Brasil. Para o executivo, só uma trajetória fiscal crível permitirá um crescimento de longo prazo sem pressionar a inflação — e, assim, viabilizar uma queda estrutural das taxas de juros, ponto central para reativar a economia e reduzir o custo do capital.

Riccio destaca que a manutenção de juros elevados empurra o investidor doméstico para a renda fixa, limitando a formação de mercado acionário e a diversificação de carteiras. Num cenário de juros mais baixos, avalia, haverá um movimento quase obrigatório de migração para renda variável e fundos multimercados, o que pode elevar retornos no longo prazo e fortalecer canais de financiamento para empresas e projetos de investimento.

O executivo também aponta a educação financeira como peça-chave dessa transição: sem maior entendimento sobre risco e diversificação, cidadãos e pequenos investidores tendem a permanecer em aplicações seguras, mas de menor eficiência para o crescimento do país. Aumentar a capacidade do público de avaliar opções financeiras foi descrito por Riccio como ferramenta transformadora para dar mais segurança às decisões e ampliar a base de investidores.

Do ponto de vista político, o alerta é claro: a transição depende de decisões fiscais concretas e do plano que for implementado pelo próximo governo. A leitura mensal de dados, o comportamento da inflação e a credibilidade das medidas serão determinantes para que capital retorne ao Brasil e para que o país consiga projetar crescimento sustentável por décadas. Em linguagem direta: sem ajuste crível, a promessa de juros menores e de mais investimentos provavelmente ficará no domínio das possibilidades, e não dos fatos.