A riqueza combinada dos bilionários russos subiu 11% em 2026, alcançando um recorde de US$ 696,5 bilhões, segundo levantamento da Forbes Russia. O aumento ocorre apesar das sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia e das medidas de isolamento econômico mais severas já aplicadas a uma grande economia.

A publicação destaca que os nomes do topo continuam vinculados às vastas reservas de recursos naturais do país. Alexei Mordashov aparece como o mais rico, com US$ 37 bilhões — alta de US$ 8,4 bilhões em relação ao ano anterior. Vladimir Potanin (US$ 29,7 bi), Vagit Alekperov (US$ 29,5 bi) e Leonid Mikhelson (US$ 28,3 bi) completam o pelotão, sem surgimento de novos protagonistas no topo.

A dinâmica explicada pela Forbes remete ao comportamento dos preços das commodities: interrupções em fluxos comerciais e demanda global pressionaram cotações de energia e metais, beneficiando acionistas de empresas exportadoras. Em comparação, bilionários do setor de tecnologia nos EUA, como Elon Musk (US$ 839 bi) e Larry Page (US$ 257 bi), seguem com fortunas maiores, o que evidencia diferenças setoriais na acumulação de riqueza.

Do ponto de vista político e econômico, o caso expõe contradição: as sanções dificultaram transações e acesso a mercados, mas não impediu ganhos significativos aos donos do setor energético. O dado acende alerta sobre a eficácia das medidas como instrumento de pressão e sobre a resiliência da economia russa apoiada em commodities — com implicações para a estratégia ocidental e para a estabilidade das receitas que sustentam o núcleo do poder econômico no país.