O Ibovespa encerrou a semana em recuperação, sustentado pelo retorno de capital estrangeiro e pela repercussão do cenário eleitoral para a disputa presidencial. Para gestores ouvidos pelo mercado, o elemento-chave por trás desse movimento é o risco fiscal — o chamado 'trade eleitoral' que ajusta posições conforme o ruído político aumenta ou diminui.

Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos, resume a lógica: maior incerteza política eleva o prêmio exigido pelos investidores para alocar recursos no país. Ainda assim, ele observa que o efeito sobre juros futuros tem sido limitado até aqui, com taxas relativamente estáveis e até retração em alguns vencimentos, mas o quadro pode mudar se o conflito institucional se intensificar ou passar a ameaçar decisões do STF.

A recente alta do índice, que incluiu um avanço expressivo em um dia de pregão, foi associada a pesquisas que mostraram aproximação entre candidatos e a possibilidade de empate técnico, reduzindo a percepção de risco de continuidade de uma postura mais expansionista. Instituições como JP Morgan e Morgan Stanley haviam reavaliado recomendações por dúvidas fiscais algumas semanas antes — sinal de que a questão pesa nas casas globais.

Em termos práticos, gestores têm recorrido ao mercado de derivativos para limitar exposição: compra de dólar futuro, opções de venda sobre o Ibovespa e posições via EWZ e opções em Petrobras aparecem como formas de proteção. Para além do movimento técnico, o posicionamento do mercado envia um recado político: a condução fiscal segue como variável decisiva para custo de capital, câmbio e capacidade de atração de investimentos.