Pequim sediou esta semana os Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, evento que reuniu mais de 600 equipes de 16 países e expôs o ritmo acelerado da indústria. Máquinas executaram corridas, lutas, levantamento de peso e obstáculos — demonstrações que ilustram ganhos de mobilidade e coordenação motora, e que, segundo o neurocientista Álvaro Machado, revelam uma aceleração liderada por empresas como a chinesa Unitree.
Machado afirmou ao programa Prime Time que, apesar dos avanços, tarefas domésticas permanecem mais desafiadoras para robôs do que façanhas físicas: dobrar roupa, limpar o chão ou manusear objetos exigem precisão e dosagem fina de força. Ainda assim, ele estima que, em algumas residências e em economias mais avançadas, robôs integrados às atividades domésticas podem aparecer em até cinco anos — inicialmente em funções específicas e onde o custo dessas tarefas é elevado.
Do ponto de vista econômico, a perspectiva levanta efeitos concretos. A adoção inicial tende a concentrar ganhos de produtividade e redução de custos em lares de maior renda e em mercados com acesso à tecnologia, ao mesmo tempo em que pressiona empregos informais e gera desafios distributivos. Há também implicações industriais: a predominância de fornecedores estrangeiros, citada no caso da Unitree, pode estimular respostas de política industrial, incentivos à inovação local ou barreiras comerciais — decisões que têm custo fiscal e político.
A mensagem prática para gestores públicos e empresas é dupla: reconhecer oportunidades de produtividade e economia de tempo, mas antecipar e mitigar riscos sociais e distributivos. Regulamentação, formação profissional e redes de proteção social serão essenciais para evitar que a tecnologia amplie desigualdades. O horizonte de cinco anos, além de plausível para nichos, não é uma previsão definitiva — é um sinal para que políticas públicas e o setor privado ajustem estratégias antes que a automação doméstica deixe de ser experimento e passe a integrar o mercado.