A farmacêutica suíça Roche informou queda de 5% nas vendas do primeiro trimestre, com receita do grupo em 14,7 bilhões de francos suíços — resultado em linha com a média de analistas compilada pela Visible Alpha. A empresa manteve as metas para o ano, mas destacou que a apreciação do franco pesou sobre suas vendas no exterior.

Em termos ajustados por moeda, a receita cresceu 6%, impulsionada sobretudo por Ocrevus, para esclerose múltipla, e Hemlibra, para hemofilia, cujas vendas avançaram 6% e 13% respectivamente. Ainda assim, a desvalorização do dólar frente ao franco — queda próxima de 1% neste ano, após perda de cerca de 12% em 2023 — acabou anulando ganhos operacionais e comprimindo o resultado final.

Do ponto de vista estratégico, a leitura é dupla: há desempenho comercial em produtos-chave, mas a exposição cambial escancara vulnerabilidade para um grupo com receita global. As ações subiram cerca de 2% na sessão, mas a sensibilidade a movimentos monetários reduz a previsibilidade do caixa e pode limitar apoios a investimentos maiores ou aquisições.

No campo de inovação, a Roche busca novas frentes. O CEO Thomas Schinecker reafirmou expectativa de aprovação do giredestrant pelo FDA até o fim do ano e aposta no petrelintide para disputar o mercado de medicamentos para perda de peso. Dados divulgados em março ficaram aquém do esperado, embora a empresa defenda vantagem de tolerabilidade. Em um segmento dominado por Eli Lilly e Novo Nordisk, a disputa aumenta o risco de retorno econômico e exige resultados clínicos e comerciais consistentes para justificar a ambição.