O relatório de estatísticas fiscais do Banco Central divulgado nesta sexta-feira registra rombo recorde de R$ 5,9 bilhões nas estatais federais entre janeiro e abril, equivalente a 0,14% do PIB. É o pior resultado para um primeiro quadrimestre desde o início da série histórica, em 2002, e sinaliza deterioração das contas dessas empresas no curto prazo.

O BC destaca que janeiro concentrou o pior resultado do ano, com abril vindo na sequência como o segundo mês mais crítico. O déficit acumulado no primeiro quadrimestre deste ano chega a níveis comparáveis ao prejuízo apurado ao longo de todo o ano de 2025, reforçando a tendência negativa que vinha se desenhando na gestão das companhias públicas.

O indicador do BC exclui algumas das maiores estatais e bancos públicos — Petrobras, Eletrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil — o que significa que a leitura já é ruim mesmo sem contabilizar gargalos potenciais nessas empresas. No mesmo contexto, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, três vezes o resultado de 2024, e enfrentam reestruturação após patrimônio líquido negativo e perda de liquidez; a estatal captou R$ 12 bilhões em crédito para normalizar fluxo financeiro.

O rombo das estatais eleva o custo político e fiscal do setor público: pressiona metas fiscais, reduz margem para políticas públicas e aumenta a probabilidade de exigência de medidas de ajuste, privatizações ou aportes que onerem o Tesouro. Para além dos números, o efeito mais imediato é sobre credibilidade e previsibilidade financeira das empresas, com impacto direto em fornecedores, empregados e na confiança do mercado.