A taxa de juros do cartão de crédito rotativo recuou para 428,3% ao ano em março, segundo o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado pelo Banco Central. Apesar da queda na taxa nominal, a modalidade segue entre as mais caras do mercado, e o volume de operações mostrou crescimento no período.
No primeiro trimestre de 2026, a concessão de crédito no rotativo somou R$ 109,7 bilhões, alta de 9,7% frente aos R$ 99,9 bilhões do primeiro trimestre de 2025. Só em março, as concessões chegaram a cerca de R$ 37 bilhões, ante R$ 34,6 bilhões em fevereiro, o que confirma que mais consumidores recorreram à modalidade.
No conjunto do Sistema Financeiro Nacional, o saldo das operações de crédito avançou 0,9% em março, alcançando R$ 7,2 trilhões. O crédito a empresas ficou em R$ 2,7 trilhões (alta de 1,1%) e a famílias em R$ 4,5 trilhões (aumento de 0,8%). A taxa média das concessões atingiu 33,1% ao ano, enquanto o spread bancário caiu 0,3 ponto percentual no mês, mas registrou alta de 2,4 pontos em 12 meses.
O quadro revela uma contradição: embora a taxa do rotativo tenha recuado, o aumento do uso dessa linha de crédito — e o patamar ainda muito elevado das taxas médias — indica aperto financeiro das famílias e dependência de crédito de custo alto. A dinâmica acende alerta para o impacto no consumo e na vulnerabilidade das famílias, e coloca pressão sobre regulador e governo para alternativas que reduzam o custo do endividamento sem transferir risco ao sistema.