Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que roupas e acessórios são a principal escolha de presentes para o Dia dos Namorados: 57% dos entrevistados que já compraram ou pretendem comprar optaram por essa categoria. Doces aparecem em 41% das respostas, cosméticos em 35%, cestas e produtos gourmet em 33%, calçados em 29%, flores em 23% e viagens em 18%. O levantamento indica que 91% das pessoas em relacionamento têm intenção de presentear — um contingente estimado em cerca de 114 milhões de brasileiros — ante 69% que efetivamente compraram no ano anterior.

Além da compra de itens, o estudo mostra que a celebração vai além do objeto: 94% dos entrevistados planejam alguma atividade especial. Jantar em restaurante é a preferência para 37%, sair para um programa como cinema ou passeio marca 30%, preparar uma refeição em casa aparece em 16% e programas domésticos, como assistir filmes, em 11%. O levantamento também registra crescimento na procura por presentes ligados ao autocuidado e experiências, como spas, massagens e serviços de beleza.

Do ponto de vista econômico, o padrão de escolha sinaliza movimentos importantes para o varejo e o setor de serviços. A liderança das roupas tende a beneficiar lojas de vestuário e marketplaces; a demanda por chocolates e cosméticos reforça o papel de supermercados e perfumarias; e o peso das saídas para jantar e das viagens aponta para ganhos em restaurantes, turismo e hospedagem. Para comerciantes, o salto na intenção de compra exige ajustes de sortimento, estratégias promocionais e presença multicanal para capturar consumidores sensíveis a preço e experiência.

A diferença entre intenção (91%) e compra efetiva no ano anterior (69%) merece atenção: enquanto indica um possível aquecimento do consumo, também expõe como desejo e orçamento convivem na hora da compra. O instituto interpreta a data como momento em que brasileiros negociam afeto, utilidade e custo — uma leitura que exige acompanhamento por parte de varejistas e formuladores de política econômica. Se persistirem pressões sobre renda e inflação, o ritmo de consumo pode ser contido; caso contrário, o Dia dos Namorados pode representar um alívio pontual para setores impactados pela desaceleração.