A Rússia anunciou que permanecerá na Opep+ mesmo após a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o grupo, considerada um golpe na aliança que coordena parte significativa da oferta global. O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o formato é importante para reduzir flutuações nos mercados e ajudar na estabilização dos preços, repetindo análise oficial diante da turbulência no setor.
Os Emirados, até então o quarto maior produtor do cartel ampliado, comunicaram a saída na terça‑feira, expondo divisões entre os países do Golfo. Moscou disse respeitar a decisão soberana dos Emirados, mas destacou que não recebeu aviso prévio sobre o movimento. A saída altera a geografia do grupo: a Opep+ chegou a responder por quase metade da produção mundial de petróleo no ano passado, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia.
No plano econômico, o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, alertou que a descoordenação entre produtores pode levar a aumentos de produção e, consequentemente, a quedas de preços no futuro. Ele ressaltou, porém, que atualmente os preços têm sido sustentados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, e que um excesso de oferta só será um risco diante da reabertura do tráfego e de mudanças na postura dos principais exportadores.
O quadro traz consequências concretas: no curto prazo, a saída dos Emirados amplia a volatilidade e complica o ajuste conjunto da oferta; na média prazo, aumenta a incerteza sobre receitas fiscais de países produtores e sobre a capacidade do grupo em coordenar cortes. Para consumidores e importadores, a possibilidade de preços mais baixos existe se houver produção sem controle, mas isso dependerá de decisões políticas que agora ficam mais difusas diante da perda de coesão do bloco.