A Ryanair anunciou lucro líquido de 537,7 milhões de euros no primeiro trimestre fiscal encerrado em junho, queda ante 819,9 milhões de euros no mesmo período do ano anterior. A companhia atribuiu o recuo principalmente à compressão das tarifas e ao aumento dos custos com combustível, num cenário de maior incerteza global.
A receita total atingiu 4,38 bilhões de euros, pouco acima dos 4,34 bilhões do ano anterior, enquanto a receita acessória permaneceu estável. Analistas consultados pela Visible Alpha projetavam receitas maiores, de 4,48 bilhões. A empresa transportou 61,3 milhões de passageiros, alta de 6%, mas a tarifa média caiu 6% e a receita por passageiro recuou 5%; a taxa de ocupação ficou em 94%.
A Ryanair citou a preocupação dos consumidores e o receio de escassez de combustível de aviação ligado ao conflito no Oriente Médio como fatores que pressionaram preços. A companhia manteve a previsão de crescimento de tráfego de cerca de 4% para o ano fiscal de 2027, mas afirmou ser cedo para estimar lucro após impostos diante da tendência de queda moderada nos preços do segundo trimestre.
O resultado acende alerta sobre a sensibilidade do modelo low-cost a choques exógenos: crescimento de passageiros não compensou a perda de receita unitária. Para investidores e gestores, o desafio será equilibrar disciplina tarifária, contenção de custos e foco em receitas acessórias, sem sacrificar competitividade. A Ryanair enfrenta uma janela estreita para recuperar margens se a pressão sobre tarifas e combustível persistir.