A Sabesp informou à CVM que avalia incorporar a totalidade das ações da Emae que ainda não possui, o que, se aprovado, transformaria a controlada em subsidiária integral. Pelo comunicado, acionistas da Emae receberiam participação na Sabesp via troca de ações, cuja relação será definida por um comitê e submetida às aprovações necessárias nas assembleias.

A proposta é justificada pela companhia como medida para "simplificação e otimização da estrutura societária" e redução de custos operacionais. A operação se dá após a aquisição do controle da Emae por R$ 1,1 bilhão, em outubro do ano passado, quando a Sabesp passou a deter cerca de 70% do capital; o Conselho Administrativo de Defesa Econômica já aprovou a compra em janeiro.

Há antecedentes relevantes: a Emae, privatizada em 2024, foi arrematada em leilão por veículo ligado ao empresário Nelson Tanure por R$ 1 bilhão. Parte do pagamento foi financiada com emissão de debêntures, e o não pagamento de uma parcela de juros levou à declaração de vencimento antecipado e à execução das garantias, que culminou na venda das ações da companhia.

A incorporação pode, na prática, simplificar governança e reduzir sobreposição administrativa — argumentos caros ao discurso de eficiência e responsabilidade fiscal. Mas também concentra sob uma única empresa o controle de sistemas hidráulicos estratégicos na Grande São Paulo, Médio Tietê e Baixada Santista, o que impõe vigilância regulatória e exigirá clareza sobre efeitos para acionistas minoritários, contratos operacionais e, potencialmente, tarifas. A proposta, portanto, precisa ser acompanhada com atenção pelos mercados e pelos órgãos de controle.