Investidores estrangeiros retiraram quase R$ 10 bilhões da bolsa brasileira no início de maio — apuração que cobre até o 15º dia do mês — num movimento que contrasta com os R$ 26 bilhões que entraram apenas em janeiro. A reversão evidencia a dependência do mercado acionário brasileiro ao humor externo e à leitura sobre a trajetória de juros domésticos.
Analistas ouvidos pela imprensa identificam o conflito no Oriente Médio como gatilho principal para a volatilidade. O noticiário internacional levou a realizações de lucro e a uma aversão temporária a risco, reduzindo demanda por ativos emergentes. A pressão sobre o preço do petróleo, que chegou a recuar mais de 5% após sinais de aumento de oferta via Estreito de Hormuz, ajudou na recuperação momentânea das bolsas.
No plano doméstico, a inflação mais resistente do que o mercado esperava em maio complicou a projeção de cortes rápidos de juros. Com menos espaço para afrouxamento monetário, renda variável perde atratividade frente a ativos de renda fixa, reduzindo entradas de capitais que haviam impulsionado o começo do ano.
Há também um componente político: a cautela do mercado em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e o desgaste trazido pela divulgação de uma gravação envolvendo o nome do candidato ampliaram o ruído local. Parte do mercado contava com a hipótese de mudança de governo capaz de acelerar ajustes fiscais; com sinais de fragilidade dessa possibilidade, expectativas sobre reformas e disciplina fiscal sofreram abalo, aumentando o custo de oportunidade para o investidor estrangeiro.