A Samarco, joint venture da Vale e da BHP, registrou prejuízo líquido de US$ 1,12 bilhão no primeiro trimestre de 2026, informou a companhia. O resultado negativo decorre, principalmente, de um resultado financeiro adverso de US$ 1,25 bilhão, com destaque para a variação cambial sobre passivos (US$ 965 milhões) e despesas financeiras relacionadas às obrigações de reparação derivadas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.
No plano operacional, a empresa exibiu sinais de recuperação: receita líquida de US$ 403,6 milhões, vendas de 3,2 milhões de toneladas e produção de 3,8 milhões de toneladas, com avanço de volume em relação ao ano anterior. Ainda assim, o preço médio realizado recuou cerca de 9% e o Ebitda ajustado caiu 23% na comparação anual, pressionado por preços mais baixos e custos unitários maiores — o C1 subiu 14%, para US$ 47,7 por tonelada, em boa parte pela valorização do real.
A Samarco ressaltou na teleconferência com investidores que o prejuízo é explicado majoritariamente por passivos de reparação e efeitos cambiais, sem impacto direto imediato no caixa. O fluxo de caixa operacional livre foi de US$ 183 milhões (alta de 7% ano a ano), mas o fluxo de caixa livre total caiu 44%, para US$ 129,8 milhões, devido a desembolsos ligados à reparação. Até março, foram executados US$ 320,2 milhões em obrigações de reparação, dos quais US$ 267 milhões vieram de aportes dos acionistas neste ano.
A leitura prática é dupla: por um lado, a retomada de volumes demonstra recuperação operacional; por outro, a persistência de passivos e a sensibilidade à variação cambial mantêm a companhia financeiramente vulnerável e dependente de aportes dos controladores. A estratégia de investimento — R$ 13,8 bilhões até 2028 para voltar a 100% da capacidade — precisa ser acompanhada de disciplina financeira e transparência, dado o histórico socioambiental que ainda impõe custos e riscos reputacionais relevantes.