A Samsung Electronics anunciou um lucro trimestral recorde, sustentado por um salto de 49 vezes nos ganhos com sua divisão de chips de memória. A empresa informou que o lucro operacional da divisão atingiu 53,7 trilhões de won entre janeiro e março, respondendo por 94% do lucro total do trimestre de 57,2 trilhões de won. A receita consolidada subiu 69%, para 133,9 trilhões de won.
O motor desse desempenho é o boom de investimentos em inteligência artificial: a demanda por aceleradores e chips de alta largura de banda (HBM) levou fabricantes a redirecionarem capacidade produtiva para componentes avançados usados por players como a Nvidia. A Samsung revelou que iniciou vendas em massa de HBM4 em fevereiro e espera mais que triplicar a receita com HBM neste ano em relação a 2023.
O problema, porém, é estrutural. Executivos alertaram que a oferta atual está muito aquém da demanda e que a lacuna deve se aprofundar até 2027, mesmo com novos investimentos. A realocação de capacidade para chips de IA aperta a oferta de memórias convencionais, elevando preços e criando gargalos para setores que dependem desses componentes.
Para tentar responder ao choque de demanda, a Samsung assinou contratos plurianuais com clientes e anunciou aumento significativo de investimentos de capital. Mas a empresa também admite riscos: pressões logísticas e de custo com a alta do petróleo, necessidade de garantir energia estável junto ao governo sul-coreano e a possibilidade de interrupções ligadas a tensões sindicais.
No mercado, a reação foi mista: as ações chegaram a subir após o balanço, mas fecharam em queda de 2,4% — resultado consistente com realização de lucros após valorização de 88% no ano. A profundidade do ciclo de IA expõe concorrentes e fornecedores a um dilema: apostar pesado em capacidade avançada e aceitar escassez em chips convencionais, ou manter portfólio equilibrado e perder terreno no segmento que mais remunera.