O sindicato dos trabalhadores da Samsung Electronics disse nesta sexta-feira que mantém a greve programada para começar em 21 de maio, por 18 dias, mesmo após ofertas da empresa para retomar negociações salariais. A possibilidade de paralisação derrubou as ações da companhia — que chegaram a cair até 9,3% no intraday e fecharam 8,6% no pregão — e elevou sinais de risco sobre a cadeia de suprimento de memórias.

As negociações mediadas pelo governo fracassaram nesta semana; o sindicato condicionou nova rodada a uma proposta detalhada da Samsung e afirmou que só se sentará à mesa após 7 de junho. Autoridades do Executivo sul-coreano, incluindo o ministro da Indústria Kim Jung-kwan e o primeiro-ministro, pediram que a greve seja evitada, enquanto a Casa Azul declarou preferência por solução negociada antes de qualquer medida de arbitragem.

Analistas e bancos recalcularam perdas potenciais. O JPMorgan estimou impacto no lucro operacional entre 21 trilhões e 31 trilhões de won (aprox. US$14,1 bi a US$20,8 bi) e redução de vendas na ordem de 4,5 trilhões de won caso a paralisação se confirme. A principal preocupação do mercado é a confiabilidade de entregas a clientes globais; rivais podem aproveitar a incerteza e afetar contratos já fechados.

Além do custo econômico direto, a disputa expõe um dilema político e institucional: o governo quer evitar danos às exportações e ao crescimento, mas a legislação limita a intervenção. Para a Samsung, a pressão exige oferta concreta para reduzir evasão de confiança de clientes e investidores — e para o governo, o caso passa a ser teste de capacidade de mediação sem recorrer imediatamente à arbitragem.