O Grupo Santander anunciou nesta quinta-feira uma oferta por ações em circulação do Santander Brasil que envolve até cerca de 10% do capital da subsidiária. A proposta será feita por meio da emissão de novos instrumentos da matriz — BDRs ou ADSs — em troca das ações, units e ADSs do Santander Brasil em poder de investidores, com um prêmio de 15% sobre o preço dos papéis e volume máximo de até €1,9 bilhão.

Segundo os termos divulgados, a relação de troca fixa 0,2028 BDRs/ADSs do Banco Santander para cada ação ordinária ou preferencial do Santander Brasil; para units, a relação é de 0,4056 BDRs/ADSs. Os investidores que aceitarem passarão a deter certificados da matriz espanhola, cada um representando uma nova ação ordinária do Santander S.A.. A operação mantém a listagem da subsidiária na B3, mas pode resultar na deslistagem dos ADSs na Nyse e no cancelamento de registro perante a SEC, dependendo do desfecho da oferta nos EUA.

O anúncio encerra parte das especulações sobre uma possível transação mais ampla envolvendo a participação remanescente no Brasil e serve como sinal de confiança do grupo na performance da unidade brasileira, conforme afirma o próprio banco. Ao mesmo tempo, a troca reduz o float disponível no mercado doméstico na proporção dos papéis que forem convertidos, levantando questões sobre liquidez e sobre a composição acionária de curto prazo.

Para investidores minoritários e gestores de carteira, a proposta implica uma decisão clara: permanecer com ações listadas na B3 ou migrar para papéis da matriz estrangeira, com diferenças de negociação, tributação e liquidez. No mercado, o movimento deve ser acompanhado como um gesto de consolidação estratégica do Santander — e como um ponto de atenção para quem acompanha governança, disponibilidade de instrumentos em reais e o papel dos ADSs na atração de capital estrangeiro.