O Santander anunciou lucro líquido de 5,455 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026, alta de 60% na comparação anual, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (29). O resultado headline foi favorecido por um ganho não recorrente de 1,9 bilhão de euros ligado à conclusão da venda da subsidiária polonesa.
No núcleo operacional, o lucro subjacente avançou 12%, para 3,56 bilhões de euros, superando a expectativa média de analistas de 3,47 bilhões, segundo dados do próprio banco. A receita total cresceu 4%, para 15,14 bilhões de euros, também acima do consenso de mercado (15 bilhões), sinalizando resiliência comercial em vários mercados onde o grupo atua.
A foto operacional tem lados opostos: os custos recuaram 3%, para 6,48 bilhões de euros, reflexo de disciplina de despesas; entretanto, as provisões para empréstimos inadimplentes aumentaram 5%, para 3,225 bilhões de euros. Esse crescimento nas provisões sugere pressão sobre a qualidade de crédito e limita a leitura puramente positiva do balanço.
Em termos práticos, o balanço dá fôlego ao Santander — reforçando resultados e liquidez — mas também expõe dependência de ganhos pontuais para impulsionar o lucro líquido. Para investidores e reguladores, o ponto de atenção passa a ser a sustentabilidade do crescimento subjacente e a evolução das provisões, que podem traduzir impacto econômico mais amplo sobre carteira de crédito.