O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, disse em entrevista que, se tivesse de apostar, consideraria mais provável uma queda nos preços da gasolina do que uma alta. A avaliação se baseia em duas forças: o fim da temporada local de viagens de verão, quando a demanda recua, e uma mudança nos requisitos de mistura determinada pelo governo Trump que permitiria às refinarias produzir mais gasolina.
O recuo na demanda combinado com maior capacidade de produção dá sustentação ao argumento de queda de preços no curto prazo. Ainda assim, o próprio Wright tratou isso como um palpite, o que reflete a incerteza inerente aos mercados de combustível: variações sazonais podem ser contrabalançadas por choques de oferta ou por movimentações políticas inesperadas.
O fator geopolítico é a variável que mais limita a certeza dessa projeção. Após uma pausa em agosto, a resposta entre EUA e Irã voltou a se intensificar: o Comando Central americano informou ter atingido três petroleiros iranianos em retaliação a lançamentos de mísseis, enquanto autoridades iranianas falam em resposta dolorosa a novas agressões. Esse tipo de escalada tende a elevar o prêmio de risco e a ampliar volatilidade nos preços do petróleo e, consequentemente, da gasolina.
Para a economia e para consumidores, uma queda consistente nos preços seria um alívio inflacionário imediato e poderia reduzir pressões sobre renda disponível. Politicamente, também oferece margem de manobra para governos que lutam contra a percepção de custos altos no dia a dia. Mas o cenário permanece frágil: o equilíbrio entre oferta e demanda indica tendência de baixa, enquanto o risco geopolítico impõe que investidores e formuladores de política considerem a possibilidade de reversão rápida nas cotações.