Um grupo de secretários-executivos, chefes de departamento e de gabinete do Banco Central encaminhou ao Senado uma carta aberta reafirmando apoio integral à PEC 65, que prevê autonomia orçamentária, financeira, administrativa e operacional da autarquia. O documento, assinado por membros do segundo escalão — com exceção do corregedor e de dois chefes da Procuradoria devido às funções que exercem — pede votação imediata da proposta.
Os signatários argumentam que o Pix, descrito como patrimônio público e referência internacional, precisa de recursos humanos e orçamentários estáveis para continuar a evoluir. Citam também a forte expansão da inclusão financeira e do universo de instituições supervisionadas como fatores que ampliaram a necessidade de uma supervisão mais ampla e rigorosa, e alertam que a redução de pessoal nos últimos anos ameaça a capacidade do BC de acompanhar esse crescimento.
A iniciativa ocorre em um momento de decisão do Senado: a CCJ deve apreciar o texto na quarta-feira, 10, após leitura do relator Plínio Valério (PSDB-AM) e pedido de vistas. A carta soma-se à posição pública do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e da diretoria, e pode ser interpretada como uma mobilização interna para influenciar parlamentares — pressionando pela narrativa de que autonomia é condição para estabilidade e proteção do sistema de pagamentos.
Do ponto de vista político e institucional, o apelo expõe a tensão clássica entre independência técnica e mecanismos de prestação de contas. A aprovação abre caminho para maior segurança operacional do BC, mas também exige do Senado um equilíbrio: avaliar se a autonomia proposta resolve gargalos de pessoal e financiamento sem reduzir a necessária transparência e controle democrático sobre uma autoridade com papel central na economia.