A reação imediata dos mercados ao resultado do primeiro turno foi contundente: na primeira sessão após a votação, o Ibovespa avançou 7,70%, alcançando 206.911,89 pontos; o dólar caiu 4,12%, a R$ 5,0022; e o juro futuro com vencimento em janeiro de 2035 recuou cerca de 133 pontos-base. Nos Estados Unidos, o ETF EWZ, que replica ações brasileiras, subiu 12,54%. Esses números indicam que investidores reavaliaram probabilidades políticas e reduziram o prêmio por risco, mesmo na ausência de um plano explícito de ajuste fiscal.
Essa revisão das expectativas não elimina a necessidade de respostas concretas. O segundo turno deve ser transformado em um prazo político para exigir propostas detalhadas: quais despesas serão cortadas, como serão preservados investimentos em educação, saúde, infraestrutura e ciência, e de que forma se pretende combinar eventual redução de impostos com a sustentabilidade das contas públicas. Sem esse roteiro, a boa vontade dos mercados corre o risco de ser temporária e dependente de expectativas voláteis.
Além do ajuste fiscal, a agenda passa por fortalecer instituições previsíveis e independentes, garantir segurança jurídica e ampliar a autonomia econômica do país para negociar e agregar valor em cadeias produtivas estratégicas. É preciso também demonstrar como recursos públicos e privados serão mobilizados sem pressionar a dívida e o custo de capital, com critérios claros de seleção de projetos e avaliação de retorno em inovação e produtividade.
A dimensão social da proposta não pode ficar em segundo plano. A taxa de desemprego estava em 5,3% no trimestre até agosto, o menor patamar histórico para o período, mas persistem informalidade e subutilização da força de trabalho. Sustentar crescimento requer investimento robusto em educação básica, ensino técnico e requalificação profissional, conectando escolas, universidades e centros de pesquisa ao setor produtivo. Politicamente, a ausência de medidas claras amplia o custo de credibilidade para quem governa; o segundo turno é a oportunidade para transformar sinal positivo dos mercados em compromisso público mensurável.