O Banco Central interrompeu na quarta-feira (4) a série de cortes da Selic, e agentes do mercado passaram a avaliar que a taxa básica de juros pode ficar em 13,75% ao ano até o fim de 2027. A leitura geral é de maior incerteza sobre a trajetória da inflação, o que levou instituições a recalibrar cenários.
A XP revisou seu cenário-base para manutenção da Selic em 13,75% ao longo de 2027. O banco destaca que o exterior pesou na decisão: o Copom apontou que o cenário global "tornou-se mais adverso", com alta do petróleo e aperto monetário nas economias avançadas.
“Coloque a Selic mais alta [nas contas] que a projeção cai”
O Goldman Sachs vai além e vê espaço para a Selic permanecer no patamar atual além de 2027, enquanto o Bradesco e outros participantes interpretam o comunicado do colegiado como indicação de que o nível atual é "substancialmente contracionista" — ou seja, a margem para novos aumentos seria alta.
No plano doméstico, a economia mais fraca contrasta com riscos de alta de preços nos próximos meses, como efeitos do El Niño, repasses relacionados ao fim da escala 6x1, impacto da reforma tributária e o custo elevado de energia por causa da guerra no Oriente Médio. O BC já elevou suas projeções de inflação até 2028.
Modelos técnicos também sustentam a opção por manutenção: usando fórmulas do próprio BC, Fabio Kanczuk projeta que a inflação poderia cair para cerca de 3,1% em 2028 caso a Selic siga em 13,75%. Para o mercado, o quadro segue em "estado de contingência" até que haja sinais mais claros sobre crescimento e política fiscal.
Subir ainda não precisa segundo o modelo, mas não dá para cair também. O cenário mais provável é manter pelos próximos meses, o plano dele deve ser de ficar parado