O volume de serviços no Brasil registrou alta de 0,1% em fevereiro ante janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE no dia 14. O resultado marca o segundo mês consecutivo de avanço e coloca a série em nível recorde, mas ficou aquém da expectativa de alta de 0,5% apontada em pesquisa da Reuters.
Na comparação anual, o ganho foi de 0,5%, também abaixo do consenso (1,7%). A leitura mistura sinais positivos — como a força de informação e comunicação (+1,1%), impulsionada por TI, e transportes (+0,6%), puxados pelo rodoviário de cargas — com recuos pontuais em atividades que preocupam: serviços profissionais e administrativos anotaram a terceira queda seguida (-0,3%) e outros serviços caíram 0,4%.
O setor de serviços voltado às famílias teve alta mais robusta (1,4%), mas o índice de atividades turísticas recuou 0,9% e permanece 2% abaixo do ápice de dezembro de 2024. Para analistas, a combinação entre inflação mais baixa, mercado de trabalho ainda ajustado e medidas de estímulo, como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, tende a sustentar alguma demanda em 2026, com projeção de crescimento de cerca de 2% para o ano.
Ao mesmo tempo, fatores externos e monetários limitam o entusiasmo. A guerra no Oriente Médio pressiona preços do petróleo e adiciona incerteza inflacionária, enquanto o Banco Central, apesar de reduzir a Selic em 0,25 ponto (para 14,75%), mantém tom cauteloso. O desempenho aquém do esperado amplia o desafio político: estímulos fiscais de curto prazo podem não traduzir-se rapidamente em crescimento robusto, o que pressiona a narrativa do governo sobre recuperação econômica.
O diagnóstico do IBGE e dos analistas aponta para um setor resiliente, porém heterogêneo — com líderes claros (informação e transporte) e áreas que arrastam o ritmo (profissionais, turismo). O quadro coloca no radar a necessidade de ajustes na política econômica e na avaliação de riscos externos, sob pena de reduzir o ganho real de renda das famílias e frear a recuperação do consumo.