O presidente-executivo da LATAM, Roberto Alvo, avisou que o setor aéreo pode ter de reduzir capacidade caso os preços elevados do combustível se mantenham até 2027. A declaração, feita durante a reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) no Rio de Janeiro, coloca no centro do debate um fator externo que pressiona receitas e malhas operacionais.

Alvo também apontou que o aumento do custo de financiamento e os problemas na cadeia de suprimentos de aeronaves e motores devem persistir por mais dois ou três anos. Para companhias com balanços mais fracos ou maior exposição a rotas sensíveis ao preço, esse cenário amplia o risco de ajustes drásticos, venda de ativos ou readequação de capacidade em rotas menos lucrativas.

Para passageiros e para a economia, a combinação — menos assentos, oferta restrita e custos elevados — tende a se traduzir em tarifas mais altas e menor conectividade, especialmente em mercados regionais. Empresas aéreas podem priorizar rotas lucrativas e frear planos de expansão de frota, afetando turismo, negócios e cadeias logísticas que dependem do transporte aéreo.

Do ponto de vista institucional, a mensagem de Alvo força uma agenda de adaptação no setor: gestão de custos, renegociação financeira e planejamento de longo prazo diante da incerteza. Para o poder público e reguladores, o desafio é monitorar efeitos sobre concorrência e serviço público sem antecipar medidas que não foram sugeridas pelas empresas.