O setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos muda de horizonte: não bastam mais tendências sazonais, é o consumidor quem define trajetórias de produto e mercado. Em debate organizado pela Abihpec, executivos e reguladores concordaram que impor lançamentos perdeu eficácia em face de um cliente mais exigente e conectado — cenário que força empresas a repensar portfólios e modelos de lançamento.

No núcleo dessa transformação está a necessidade de um ecossistema de dados robusto. Representantes da associação e da indústria destacaram que iniciativas como personalização e fracionamento de cosméticos só funcionam com informação confiável e processos que garantam qualidade. Ferramentas digitais e de inteligência artificial amplificam oportunidades, mas também riscos: sistemas mal estruturados geram experiências ruins e falham em traduzir preferências em vendas sustentáveis.

A expansão de plataformas digitais — exemplificada pelo movimento de marketplaces que incorporam farmácias, cosméticos e outros segmentos — altera a dinâmica competitiva. O ganho de conveniência tende a aumentar fidelização e repetição de compra, ao mesmo tempo em que pressiona margens, exige eficiência logística e impõe investimentos para manter relevância. Para empresas tradicionais, o desafio é conciliar escala operacional com agilidade na oferta personalizada.

Do lado institucional, a Anvisa ressaltou que sua atuação está presa aos marcos legais vigentes, o que implica em elevar a capacitação técnica para acompanhar disrupções tecnológicas. Há, portanto, um nó político‑institucional: sem normas claras e capacidade regulatória atualizada, o avanço tecnológico pode gerar incerteza jurídica ou lacunas de proteção ao consumidor. Em termos práticos, isso significa custos adicionais de compliance para a indústria e a necessidade de diálogo entre setor e poder público para harmonizar inovação, segurança e eficiência econômica.