Representantes do BV, da Febraban, do Santander e do Bradesco se encontram na próxima semana em São Paulo no Horizons 2026, evento da FIA Business School, para debater a alocação de capital em um ambiente de negócios mais exigente. A pauta central é prática: não se trata apenas de intenções verdes, mas de critérios que já orientam decisões de investimento, oferta de crédito e acesso a mercados.
Os painéis previstos trazem à tona temas que ganharam centralidade — finanças sustentáveis, mercados de carbono, padrões internacionais de reporte e inovação tecnológica — e que, segundo a organização, deixaram de ser agenda de longo prazo. Monica Kruglianskas, diretora de Sustentabilidade e Parcerias da FIA, tem chamado atenção para a transformação: padrões ambientais e de governança passam a influenciar diretamente custos operacionais e decisões sobre energia e investimentos.
Para o setor, a convergência entre eficiência, exigências regulatórias e expectativas de investidores cria um nó de decisões práticas. Isso pode significar redirecionamento de crédito para projetos alinhados a metas de sustentabilidade, pressão por maior transparência nos critérios de avaliação e, potencialmente, aumento do custo de capital para atividades com maior risco ambiental ou regulatório. A consequência política e econômica é clara: empresas e setores que não se adaptarem podem perder competitividade e mercado.
Ainda há questões não resolvidas que aumentam a complexidade: fragmentação de normas, variação de padrões globais e risco de 'greenwashing' caso a definição de critérios não se firme. Para instituições financeiras, o desafio é operacional — incorporar novos indicadores sem comprometer a agilidade de análise de crédito — e estratégico — garantir que o direcionamento de recursos traduza-se em vantagem competitiva real, não apenas em conformidade formal.