O setor imobiliário alertou para riscos operacionais na implementação da reforma tributária prevista para entrar em vigor a partir de janeiro, durante a 23ª Convenção Secovi-SP, em São Paulo. Executivos classificaram o clima de preparação como de alta ansiedade e incerteza, citando falta de definições sobre a nova sistemática.
Líderes do mercado afirmam que a mudança, cujo objetivo declarado é simplificar tributos, pode acabar por aumentar a complexidade operacional das empresas. A preocupação central é que regras incompletas ou ambíguas deixem incorporadoras e construtoras sem parâmetros claros para adequar sistemas, contratos e processos fiscais em prazo curto.
Além da reforma, participantes destacaram fatores que já exigem cautela: juros elevados, custo de capital e pressão sobre custos de produção. Executivas do setor ressaltaram que o fluxo de caixa virou prioridade e que decisões como compra de terrenos e lançamento de projetos demandam horizonte de vários anos — o que torna a indefinição tributária especialmente gravosa.
O cenário indica risco de adiamento de lançamentos, dificuldade para precificar produtos voltados à classe média e impacto na oferta de moradia. Representantes afirmam ter buscado interlocução com o governo para estender prazos e detalhar regras. Para o setor, a combinação de indefinição regulatória e custos elevados exige mais tempo e clareza para evitar danos à cadeia produtiva.