O mercado imobiliário brasileiro exige planejamento de longo prazo, na avaliação do CEO da Moura Dubeux, Diego Villar. Em entrevista ao programa É Negócio, ele afirmou que o setor funciona como um exercício de projeção para os próximos quatro ou cinco anos, em que a volatilidade macroeconômica torna o acerto especialmente difícil. Para empresas do segmento, a capacidade de antecipar cenários é condição necessária para evitar excesso de oferta ou paralisação de obras.

A dependência do crédito aparece em duas frentes: volume — a capacidade do sistema financeiro de ofertar empréstimos — e taxa de juros, que determina o custo e a acessibilidade do financiamento. Villar destacou que a inflação e a manutenção de juros elevados elevam o custo do financiamento e reduzem o universo de compradores aprovados, especialmente na chamada faixa intermediária, hoje pressionada pela restrição ao crédito.

O padrão de demanda atual concentra-se nas pontas: luxo e alto padrão de um lado; o segmento econômico, sustentado por programas públicos como o Minha Casa Minha Vida, do outro. Segundo o executivo, quase 90% dos investimentos e das vendas estão nessas duas extremidades. A consequência visível é um esvaziamento da oferta voltada à classe média, que permanece com demanda reprimida enquanto as taxas não recuarem.

O diagnóstico aponta para efeitos concretos: incorporadoras e construtoras precisam calibrar ritmo de produção e carteira de lançamentos; políticas macroeconômicas que reduzam incerteza e contenham inflação são condição para ampliar o acesso ao crédito; e, do ponto de vista político, a questão traz sinalizações claras sobre custo social e econômico de juros altos para a habitação.