Lideranças do setor privado no Brasil e nos Estados Unidos começaram a se articular para tentar reverter o ajuste tarifário anunciado pelo USTR contra produtos brasileiros. Associações, sobretudo da indústria — apontada como mais atingida que o agronegócio — trabalham dentro do calendário do órgão americano: pedido de participação até 22 de junho; envio de comentários até 1º de julho; audiência pública em 6 de julho; decisão final prevista para 15 de julho.

A estratégia formal será demonstrar ao USTR que os bens brasileiros são essenciais ao mercado americano, que não existem capacidades de produção doméstica ou substitutos nos EUA e que a taxação teria efeito inflacionário na economia norte-americana. Fontes do setor afirmam que associações setoriais já preparam manifestações escritas e dossiês técnicos para sustentar esses pontos.

Executivos e consultores advertem, porém, que argumentos técnicos podem não ser suficientes. A leitura do mercado é a de que Washington busca uma negociação ampla com Brasília — envolvendo minerais críticos, flexibilização de regras para big techs, mudanças em propriedade intelectual e até questões relativas ao Pix — e que o diálogo informal entre governos tende a ser decisivo para a decisão final do USTR.

O cenário ressalta uma fragilidade política: sem uma atuação diplomática e negociadora clara do Palácio do Planalto e do Itamaraty, o esforço das empresas terá alcance limitado. Além do risco direto para exportadores e cadeias produtivas, a disputa pode traduzir-se em custo político e econômico para o governo, que terá de calibrar prioridades entre defesa de setores domésticos e concessões em temas sensíveis ao comércio com os EUA.